Todos os posts de Kioshi

Uma lista de argumentos a favor e contra os zoológicos

image

Argumentos a favor dos zoológicos

• Ao aproximar pessoas e animais em um mesmo ambiente, zoológicos educam o público e estimulam a apreciação dos animais. Esta exposição e educação pode motivar as pessoas a proteger os animais.

• Zoológicos salvam espécies ameaçadas de extinção, trazendo-os para um ambiente seguro, onde são protegidos de caçadores, perda de habitat, da fome e de predadores.

• Muitos jardins zoológicos também têm programas de reprodução de espécies ameaçadas de extinção. Na natureza, estes indivíduos podem ter dificuldade em encontrar companheiros e reprodução.

• Zoológicos respeitáveis ​​são credenciados pela Associação de Zoológicos e Aquários e seguem padrões exigentes para o tratamento dos animais. De acordo com a AZA, a acreditação significa “o reconhecimento oficial e aprovação de um zoológico ou aquário por um grupo de especialistas.”

• Um bom jardim zoológico oferece um habitat enriquecido em que os animais nunca ficam entediados, são bem cuidados, e têm bastante espaço.

• Zoológicos são uma tradição, e uma visita a um jardim zoológico é uma atividade saudável e familiar.

• Ver um animal pessoalmente é uma experiência muito mais próxima e memorável do que ver o animal em um documentário sobre a natureza.

• Alguns argumentam que os seres humanos têm pouco ou nenhum dever para com os animais não-humanos porque os seres humanos são mais importantes, e, se a manutenção dos animais em zoológicos serve quaisquer fins educativos ou de entretenimento, podemos fazê-lo de forma ética.

• Zoológicos ajudam a reabilitar a vida selvagem e acolher animais de estimação exóticos que as pessoas já não querem ou não são capazes de cuidar.

• Tanto os expositores de animais credenciados quanto os não acreditados são regulados pelo governo federal Animal Welfare Act, que estabelece normas para atendimento.

Argumentos contra zoológicos

• Do ponto de vista dos direitos dos animais, não temos o direito de reproduzir, capturar e confinar os outros animais, mesmo que eles estejam em perigo.

• Ser membro de uma espécie em extinção não significa que os animais, individualmente, têm menos direitos.

• Animais em cativeiro sofrem de stress, tédio e confinamento. Laços intergeracionais são quebrados quando os indivíduos são vendidos ou negociados com outros zoológicos, e nenhum tipo de confinamento ou mesmo safari drive-through pode ser comparada com a liberdade do animal selvagem.

• Filhotes de animais trazem visitantes e dinheiro, mas esse incentivo para produzir novos animais leva à superpopulação. Animais excedentes são vendidos não só para outros zoológicos, mas também para circos, ranchos de caça e até mesmo para abate.

• Alguns zoológicos apenas matam seus animais excedentes.

• A grande maioria dos programas de reprodução em cativeiro não libera os animais de volta na natureza. Os filhotes são sempre parte da cadeia de jardins zoológicos, circos, exposições e comércio de animais exóticos que envolve a compra, venda e troca destes de maneira que pode ser rotulada como exploratória. Ned, o elefante asiático, nasceu em um zoológico credenciado, mas mais tarde acabou virando propriedade de instrutor de circo e, muito tempo depois, foi enviado a um santuário.

• Remoção de indivíduos da natureza possivelmente prejudica ainda mais a população selvagem, porque os indivíduos restantes terão menos diversidade genética e encontrarão mais dificuldade de encontrar companheiros.

• Se as pessoas querem ver animais selvagens na vida real, elas podem observar a vida selvagem na natureza ou visitar um santuário. Um verdadeiro santuário não compra, vender ou cria animais, mas abriga animais indesejados exóticas, animais excedentes de zoológicos e animais selvagens feridos que não podem mais sobreviver na natureza.

• Direitos de um indivíduo não deve ser infringido por causa da espécie. A espécie não é um ser senciente e, portanto, não tem direitos.

• Se zoológicos estão ensinando alguma coisa às crianças, é que aprisionar animais para nosso próprio entretenimento é aceitável.

• Ao menos um estudo mostrou que os elefantes mantidos em zoológicos não vivem tanto tempo como elefantes em estado selvagem.

• O Animal Welfare Act federal estabelece apenas as normas mínimas para a maioria tamanho da gaiola, abrigo, cuidados de saúde, ventilação, barreiras, comida e água. Por exemplo, recintos devem fornecer “espaço suficiente para permitir que cada animal possa fazer ajustes posturais e sociais normais com liberdade de movimentos suficiente. Espaço inadequado pode ser indicado por evidências de desnutrição, más condições, astenia, stress ou padrões de comportamento anormal.” Violações muitas vezes resultam em um punições leves, e é dado um prazo ao expositor é dado para corrigir a violação. Mesmo uma longa história de cuidados inadequados e violações AWA, como a história de Tony, o Truck Stop Tiger, não vai libertar os animais.

• Santuários também reabilitam a vida selvagem e abrigam animais de estimação exóticos indesejados, sem criação, compra e venda de animais, como os jardins zoológicos fazem.

• Animais, às vezes, escapam de seus recintos, colocando em risco a si mesmos, bem como pessoas.Houve mesmo casos de animais zoológico comerem outros animais de zoológico .

—————

Na discussão sobre os jardins zoológicos, ambos lados vão argumentar que estão salvando e ajudando os animais. Proponentes do zoológico não acreditam em direitos dos animais, e por isso muitos dos argumentos contra zoológicos não são convincentes para eles, enquanto outros argumentos podem parecer aplicam-se apenas para zoológicos inferiores, tais como jardins zoológicos de beira de estrada e os petting zoos (mini zoológicos).

Autora: Doris Lin

iPhone 5S e 5C – quais modelos estrangeiros funcionam com o 4G brasileiro.

Agora que muita gente está viajando para fora e quer comprar um dos novos iPhones da Apple, é bom saber quais modelos são compatíveis com o 4G brasileiro. Por isso, fiz um resumo do que achei na internet sobre a compatibilidade dos iPhones 5c e 5s com o 4G daqui (que, em minha experiência, é mais rápido que o Wifi da NET de 10 megas).

Você só precisa decorar o número do modelo, vamos lá (fiz um resumo no fim deste post para os preguiçosos):

Em um documento divulgado na última sexta-feira (4), a agência governamental listou os modelos A1457, do iPhone 5s, e o A1507, do iPhone 5c.

As versões liberadas são compatíveis com a frequência do 4G brasileiro (conhecida como banda 7, de 2.600 MHz), diferentemente das gerações anteriores do celular da Apple.

Como ver o modelo:

Veja a traseira o iPhone. Essa é uma foto meu (brasileiro) – bem à direita, ao lado do Assembled in China, está escrito ‘Model A147’

20131228-180645.jpg

MODELOS INCOMPATÍVEIS

A1532 (iPhone 5c)
A1533 (iPhone 5s)
A1456 (iPhone 5c)
A1453 (iPhone 5s)

Além de nos EUA, essas versões dos aparelhos são comercializadas no Canadá e em Porto Rico (território americano).

MODELOS COMPATÍVEIS

Já em outros países, europeus e asiáticos, são vendidas versões aptas (ao menos em tese) a se conectar à rede de última geração brasileira. Veja a lista:

A1507 (iPhone 5c)
A1457 (iPhone 5s)
A1529 (iPhone 5c)
A1530 (iPhone 5s)

Os compatíveis estão disponíveis nos seguintes países:

Alemanha
Austrália
Coreia do Sul
França
Hong Kong
Nova Zelândia
Reino Unido
Singapura

No caso dos países europeus dessa lista, é necessário perguntar qual é o modelo específico que está sendo comprado, já que há mais de uma possibilidade. Nos demais, só se vende iPhones de última geração que funcionam com o 4G brasileiro.

  • RESUMINDO:

    – Para garantir que você compre um iPhone que funcione com o 4G brasileiro, procure pelos mesmos modelos homologados pela Anatel (IPhone 5s A1457 e iPhone 5c A1507)

    – Os modelos iPhone 5s A1530 e iPhone 5c A1529 são compatíveis com o 4G brasileiro em tese, mas não há certeza na prática, então procure os modelos citado no parágrafo acima se estiverem disponíveis para ter 100% de certeza da compatibilidade deles.

  • Atualização: um amigo me disse que, no local onde trabalha, o pessoal de lá comprou os modelos A1529 e A1530 na Austrália e eles funcionam sim no 4G brasileiro.

    Caso tenha ajudado, compartilhe este post 🙂

    20131228-043143.jpg

    Texto sobre o julgamento e tapetão do campeonato brasileiro.

    CUIDADO, TORCEDOR: QUEREM REBAIXAR O DIREITO
    José Augusto Garcia de Sousa
    Defensor público/RJ, Professor de direito processual da FGV/RJ e da UERJ

    1. Introdução

    Muitas opiniões foram dadas nos últimos dias a respeito da volta triunfal do “tapetão” ao futebol brasileiro. A maioria dos dirigentes e jornalistas esportivos parece posicionar-se a favor da perda de pontos de Flamengo e, sobretudo, Portuguesa, com o consequente retorno do Fluminense à primeira divisão. Um auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva já anunciou em rede social o seu voto nesse sentido, invocando para tanto o bordão “dura lex, sed lex”, de resto algo que só advogado de novela mexicana continua a pronunciar nos dias de hoje. A “lei” conspiraria assim em prol do Fluminense, e as favas já estariam contadas, não passando de mera formalidade o julgamento da próxima segunda-feira.
    Dessa forma, pessoas muito influentes no meio esportivo acham assustadoramente natural que o resultado de um campeonato brasileiro se inverta em virtude de supostas infrações que se caracterizam: a) pela ausência total de má-fé dos acusados; b) por não influenciarem minimamente o desfecho da competição (a “irregularidade” do Flamengo aconteceu em jogo que o clube considerava simples amistoso e o atleta “irregular” da Portuguesa não jogou mais do que 15 minutos). Nesse contexto, em vez de “dura lex, sed lex”, seria mais adequado citar “fiat justitia, pereat mundus” — faça-se justiça, ainda que o mundo acabe.
    Mas será que o Direito realmente apoia tal enormidade? Percebendo que a grande maioria das opiniões é dada sem qualquer embasamento jurídico — poucos sequer se dão o trabalho de ler o Código Brasileiro de Justiça Desportiva —, fui estimulado a escrever este breve trabalho, certo de que um mínimo de racionalidade jurídica haverá de se impor no julgamento. É pelo menos o que se espera.

    2. O que diz o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD)?

    Pela cobertura do caso, fica-se achando que o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (doravante, CBJD, para simplificar) sustentaria plenamente as acusações formuladas. Pois é justamente o contrário!
    É certo que o art. 133 do CBJD determina que o “resultado do julgamento produzirá efeitos imediatamente”. Só que o próprio dispositivo, ao final, ressalva: “salvo na hipótese de decisão condenatória, cujos efeitos produzir-se-ão a partir do dia seguinte à proclamação”. Como os jogadores do Flamengo e da Portuguesa foram condenados na sessão de sexta passada do Tribunal, a ressalva do art. 133 se aplica ao caso. Os efeitos teriam sido produzidos então a partir do sábado?
    Não! As leis não podem ser interpretadas em tiras, ao gosto do freguês. É preciso ater-se ao sistema, ao conjunto da obra. O dia seguinte, de acordo com a sistemática do CBJD, é a segunda-feira, à luz do art. 43, § 2º, que é claríssimo a respeito: “Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o início ou vencimento cair em sábado, domingo, feriado ou em dia em que não houver expediente normal na sede do órgão judicante.”
    Logo, a condenação dos jogadores do Flamengo e da Portuguesa, ocorrida em uma sexta-feira, só começou a produzir efeitos na segunda-feira seguinte, daí se concluindo que não houve qualquer irregularidade nas partidas ocorridas no final de semana (no caso do Flamengo, uma partida jogada menos de 24 horas após a proclamação da condenação). É uma conclusão que se arrima, destaque-se bem, na literalidade do CBJD. Dura lex, sed lex…
    Vale acrescentar que o CBJD, no particular, não está sozinho, muito ao contrário. De uma forma geral, a legislação brasileira posterga para o primeiro dia útil seguinte o início de qualquer prazo ou a eficácia de qualquer decisão (salvo naturalmente situações urgentes). Veja-se a propósito a Súmula 310 do Supremo Tribunal Federal (válida para qualquer tipo de processo): “Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira, ou a publicação com efeito de intimação for feita nesse dia, o prazo judicial terá início na segunda-feira imediata, salvo se não houver expediente, caso em que começará no primeiro dia útil que se seguir”.

    De acordo com regra elementar de hermenêutica jurídica, caso o CBJD quisesse remar contra a maré, afastando-se do conjunto do ordenamento nacional, deveria dizê-lo expressamente (algo como “…os efeitos produzir-se-ão a partir do dia seguinte à proclamação, mesmo que se trate de sábado, domingo ou feriado…”). Mas não o fez. O que reforça a conclusão de que a decisão condenatória de sexta-feira só começou a produzir qualquer efeito na segunda-feira seguinte.
    Mas não é só. Repare-se o teor do art. 47, § 1º, do CBJD, referente às intimações (“o ato processual pelo qual se dá ciência à pessoa natural ou jurídica dos atos e termos do processo, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa”): “Além da publicação do edital, a citação e a intimação deverão ser realizada por telegrama, fac-símile ou ofício, dirigido à entidade a que o destinatário estiver vinculado.” O § 2º, por seu turno, complementa: “Poderão ser utilizados outros meios eletrônicos para efeito do previsto no § 1º, desde que possível a comprovação de entrega.” Considerando-se além disso que um dos princípios reitores do CBJD é o da oficialidade (art. 2º, X), fica muito claro que o Código só é devidamente respeitado quando os clubes são oficialmente intimados da decisão condenatória, só a partir daí tendo eficácia a decisão.
    Este trabalho poderia terminar aqui. Infelizmente, a ruidosa acusação contra Flamengo e Portuguesa não prestou muita atenção no que diz o próprio CBJD.
    Mas vale a pena continuar, até porque o julgamento de segunda-feira pode ter efeitos absolutamente desastrosos para o futebol brasileiro, gerando um retrocesso que custaremos muito a superar.
    Já li uma opinião de que o art. 43, § 2º, do CBJD se aplicaria apenas a prazos recursais, não tendo aplicação ao caso. É uma opinião sem dúvida equivocada.
    Equivocada, em primeiro lugar, porque o CBJD não distingue. Onde a lei não distingue, o intérprete também não deve distinguir. Mas isso nem é o mais importante.
    Relevante, mesmo, é o fato de o devido processo legal consistir em princípio expresso do CBJD, estampado logo no início do Código (é claro que, em se tratando de princípio constitucional, seria aplicável mesmo que o CBJD nele não tocasse; ainda assim, a positivação expressa mostra-se bastante eloquente do ponto de vista da interpretação da lei).
    Para o devido processo legal, a informação adequada acerca dos atos processuais é essencial. Aliás, é essa a ideia subjacente a uma das maiores obras-primas da literatura universal, O processo, de Franz Kafka (que narra o tormento de um indivíduo esmagado por um processo cujo conteúdo ignora). E a informação adequada acerca dos atos processuais é indispensável, por óbvio, tanto para a interposição de um recurso quanto para o cumprimento de uma decisão condenatória. Aliás, é mais indispensável ainda, no contexto do CBJD, para o cumprimento de uma decisão condenatória, porque as repercussões negativas da omissão são muito mais graves.
    Com efeito, não posso cumprir uma decisão condenatória se a respeito dela não tenho a informação adequada. Conforme a sistemática do CBJD, a eficácia da comunicação só ocorre no primeiro dia útil seguinte à proclamação do resultado, medida extremamente necessária, ensejando uma melhor assimilação da informação processual, a fim justamente de se evitarem sérios mal-entendidos (como parece ter havido no caso).
    Dessa forma, não há como afirmar que o art. 43, § 2º, do CBJD — que não faz qualquer distinção — aplica-se apenas à interposição de recursos, mas não ao cumprimento de decisões condenatórias. Aplica-se, sim, às duas situações, com mais razão ainda ao cumprimento de decisões condenatórias. Pensamento em sentido contrário consegue, de um golpe só: a) proceder a uma artificial distinção nem de longe cogitada pelo CBJD; b) desprezar o devido processo legal, princípio constitucional expressamente destacado no CBJD.
    A jurisprudência do STJD estaria seguindo rumo diferente? Se realmente estiver, está mais do que na hora de mudar.

    3. Havendo alguma dúvida, qual a decisão correta a ser tomada?

    Na seção anterior, viu-se que a literalidade do CBJD não abona nem um pouco as acusações formuladas contra Portuguesa e Flamengo. Apenas para fins de argumentação, admita-se que possa haver alguma dúvida a respeito, e que essa dúvida seja razoável. Qual então a decisão correta a ser tomada?
    Mais uma vez é preciso ler o CBJD, providência que poucos tomaram. O CBJD é um diploma normativo extremamente principiológico. No seu art. 2º, diz-se que “a interpretação e aplicação deste Código observará os seguintes princípios…”. Entre os princípios expressamente mencionados, estão a “prevalência, continuidade e estabilidade das competições (pro competitione)” e o “espírito desportivo (fair play)” (incisos XVII e XVIII). O que isso quer dizer? Muito simples: que toda e qualquer disposição do CBJD deve ser interpretada em função da finalidade de fazer prevalecer os resultados limpamente conseguidos no campo de jogo. Em outras palavras, é o próprio CBJD que está a rejeitar, enfaticamente, soluções extracampo. Via de consequência, estas só podem prevalecer em casos excepcionalíssimos.

    Não bastasse, o art. 282 do CBJD, de forma talvez ainda mais incisiva, proclama: “A interpretação das normas deste Código far-se-á com observância das regras gerais de hermenêutica, visando à defesa da disciplina, da moralidade do desporto e do espírito desportivo.” (grifamos)
    Está aí, portanto, a premissa maior do CBJD: sempre que possível, devem ser respeitados os resultados obtidos em campo, a bem do fair play e da moralidade esportiva, de resto preceitos universais. Qualquer solução diversa há de se revestir de máxima excepcionalidade.
    Sendo essa a orientação do CBJD, resulta evidente que, em havendo qualquer dúvida a respeito da perda de pontos de Portuguesa e Flamengo, a dúvida deve ser resolvida pela negativa, triunfando o resultado alcançado, ao fim de 90 minutos, pela técnica e pelo suor dos jogadores.
    Acrescente-se que o julgamento de segunda-feira propõe-se a aplicar sanções — graves — aos acusados Portuguesa e Flamengo. Por conseguinte, não é possível deixar de aplicar ao caso as normas gerais do Direito brasileiro a respeito de todo e qualquer processo sancionatório, normas gerais estas que são recepcionadas expressamente pelo próprio CBJD (arts. 34 e 283).
    Pois bem, no ordenamento brasileiro, como ocorre em qualquer ordenamento civilizado e democrático, sanções só podem ser aplicadas de maneira ponderada e cuidadosa, observando-se garantias inalienáveis dos acusados. Além da observância das garantias, qualquer dúvida deve ser resolvida em favor do acusado. É o clássico in dubio pro reo. Isso vale para qualquer tipo de sanção, em todas as esferas do Direito. Naturalmente, quanto mais grave a sanção, maior deve ser o cuidado.
    No caso, as sanções ameaçadas são extremamente sérias. Nem vamos falar da quebra da moralidade no esporte mais popular do país. Fiquemos com os times envolvidos. Havendo perda de pontos, não os clubes pessoas jurídicas serão atingidos. Times, jogadores e comissões técnicas estarão sendo punidos, apesar da absoluta ausência de má-fé de todos. Pior ainda, a perda de pontos atingirá em cheio milhares de torcedores, que poderão reclamar estarem sendo esbulhados e traídos. Bem se vê que as sanções em jogo afiguram-se realmente devastadoras, inclusive do ponto de vista quantitativo. Logo, mais intensa ainda é a necessidade de não sonegar aos acusados as garantias que lhe são oferecidas pelo ordenamento jurídico, entre elas o benefício da dúvida.
    Mais uma vez, o CBJD mostra-se plenamente sintonizado com o ordenamento nacional. Em vários dispositivos, as garantias dos réus e o benefício da dúvida são afirmados (confiram-se a propósito os arts. 132 e §§, 140, 140-A, 142, par. único).
    A questão lançada mais acima resta, dessa forma, amplamente respondida, por vários ângulos: se for possível enxergar alguma dúvida no caso — e a literalidade do CBJD sequer dúvida parece deixar —, a solução do julgamento deve ser favorável, inequivocamente, aos acusados Portuguesa e Flamengo, solução que privilegiará, ademais, o fair play e a moralidade do futebol brasileiro.

    4. A necessidade de se aplicarem, em caso de condenação do Flamengo e da Portuguesa, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade (CBJD, art. 2º, XII e XIV)

    Se por absurdo ocorrer a condenação de Flamengo e Portuguesa, um mínimo de justiça haverá de ser preservado. De que forma?
    Para preservar esse mínimo de justiça, devem ser observados os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, expressamente contemplados no CBJD (art. 2º, XII e XIV). Assim, a punição poderia ser mitigada, não se tirando quatro pontos das equipes, ou então se impondo apenas a pena de multa.
    Consoante importantes decisões de cortes nacionais e estrangeiras, qualquer sanção cominada deve ser vista tão somente como um teto, nada impedindo que haja mitigação em função dos contornos concretos do caso.
    No caso, a falta de proporcionalidade da eventual perda de quatro pontos de Portuguesa e Flamengo mostra-se gritante. Cuida-se, vale reiterar, de supostas infrações que se caracterizam: a) pela ausência total de má-fé dos acusados; b) por não influenciarem minimamente o desfecho da competição (a “irregularidade” do Flamengo aconteceu em jogo que o clube considerava simples amistoso e o atleta “irregular” da Portuguesa não jogou mais do que 15 minutos).
    Nunca é demais frisar essa ausência total de má-fé, até porque a moralidade desportiva é um princípio fundamental do CBJD. Aliás, em decisão monocrática da Presidência do STJD, proferida na data de ontem (12/12/13), ficou consignado: “A boa doutrina afirma que para o deferimento do processamento de impugnação de partida é necessário a prova inequívoca de que houve intenção de infringir as regras do jogo.”
    Não havendo intenção de infringir as regras do jogo, a perda de ponto soa iníqua e absolutamente desproporcional. Havendo algum tipo de punição, o princípio da proporcionalidade, previsto explicitamente no CBJD, não poderá ser abandonado.

    5. Conclusões
    Este breve trabalho almejou demonstrar os seguintes pontos:
    a) a acusação formulada contra Portuguesa e Flamengo choca-se com a literalidade do CBJD, parecendo ter sido feita com base em apenas um dispositivo isolado, esquecendo-se de muitos outros;
    b) ainda que possa existir alguma dúvida, ela deve ser resolvida em favor dos acusados Portuguesa e Flamengo, aplicando-se ao caso garantias universais de qualquer réu, bem como princípios essenciais do CBJD, entre eles o da preservação do fair play e da moralidade desportiva;
    c) se por absurdo acontecer alguma condenação, ela deverá ser mitigada, a bem dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, expressamente contemplados no CBJD, considerando-se sobretudo a total ausência de má-fé por parte dos acusados.
    Além disso, o trabalho procurou assinalar que o julgamento de segunda-feira há de ser um julgamento de Direito, devendo ser observadas plenamente a técnica e a principiologia jurídicas. O terreno desportivo não pode ser uma bolha impermeável ao Direito nacional.
    Aqui, por sinal, a função do Direito revela-se tão nobre quanto despojada: ele comparece para esclarecer que seu papel é de mero coadjuvante. Triste do futebol decidido em gabinetes refrigerados, por cidadãos de sapato e beca falando difícil. Os clubes devem investir em craques, não em advogados. Fintas de um Neymar são muito bem-vindas, sempre. O mesmo não se pode dizer dos dribles jurídicos, em cima de deslizes burocráticos. Decididamente, o povo brasileiro, que tem o futebol como uma das suas maiores paixões, não merece nada disso.
    Que o Direito seja respeitado, afirmando-se com a maior ênfase possível: jogo se ganha no campo. É essa a grande responsabilidade do STJD no histórico julgamento de segunda-feira.

    Sobre o curandeirism… Digo, a Medicina Alternativa.

    Do You Believe in Magic?, um livro bastante interessante falando sobre a falta de métodos para se validar a tal da “medicina alternativa”, que em minha opinião deveria se chamar “curandeirismo complementar” – pois tanto medicina como alternativa são termos inadequados, pois não se trata de ciência e muito menos algo que possa ser usado como uma alternativa viável em casos que a pessoa necessite de tratamento médico e possa ter consequências graves sem ele.

    Por mais que a medicina moderna seja limitada, ao menos a parte dela que funciona é comprovada por métodos científicos. Até hoje me parece irreal que homeopatia e acupuntura sejam aceitas como especialidades médicas. Oras, se for assim, por que os conselhos médicos consideram a ortomolecular charlatanismo? Ela tem o mesmo nível de evidência científica dessas outras duas (nenhum, a acupuntura apenas em alguns casos bem mais específicos e de espectro muito menor do que a miríade de “patologias” que ela acaba sendo usada como se tivesse fundamento).

    Em minha opinião, esses cursos deveriam ser técnicos para quem quisesse fazer e mancham o nome da Medicina, que, nos tempos de estudos, pesquisas e tecnologia, é cada vez mais uma profissão científica. Afinal, os “médicos alternativos”, em sua maioria, já se escoram frequentemente no fato de suas “especialidades” não possuírem base científica, então não é incomum eles simplesmente dispensarem o paciente com palavras gentis como “tentei te ajudar mas você deve procurar outros caminhos”. Isso não é medicina como eu a encaro. Medicina é cuidar do paciente, é achar meios para tratá-lo e alternativas. É sempre estar presente para ele.

    Na medicina com base científica, por mais imperfeita e limitada que ela seja, geralmente encontramos alguém para ou alguma forma de reduzir o sofrimento do paciente. Não desistimos dele e falamos ‘pode procurar outro tratamento e Deus te guie meu querido’

    Palavras do autor do livro:

    “Gostaria que tivéssemos o mesmo ceticismo com a medicina alternativa que temos com a medicina moderna. Se acupuntura é bom, vamos descobrir como! Apontar para as estrelas não dá.

    As pessoas que vendem esses produtos ganham dinheiro e podem bancar um teste clínico. Estudos já mostraram que você não tem mais chance de baixar o colesterol com o extrato de alho do que com o placebo. O consumidor merece testes. E extrato concentrado de alho pode causar efeitos colaterais.

    É desconcertante que as pessoas tenham a ideia de que algo é seguro e funciona quando pode não funcionar e não ser seguro. Essa indústria é colocada como intocável. O que surpreende é que as pessoas acham que essas fabricantes são empresas familiares, que os produtos são feitos por elfos em montanhas.”

    Entrevista completa com o autor do livro.

    20131125-045538.jpg

    Marco Civil, a estatização e controle da internet – e por que você deve se preocupar com ele.

    Marco Civil é um projeto de lei que a Dilma tenta passar há tempos para regulamentar e estatizar a internet no país. Lendo o texto do projeto, interpreto 70% como encheção de linguiça desnecessária, 5% como medidas possivelmente benéficas ao indivíduo e os 25% restantes muito semelhantes ao que a China pregou para ter sua internet completamente censurada e controlada pelo governo – proteção da privacidade do indivíduo, soberania do estado e afins.

    O texto da China usa basicamente os mesmos argumentos e hoje em dia metade dos sites que usamos frequentemente é proibida lá (existem clones locais do Facebook, Twitter e outros).

    Os textos de campanha para o projeto de lei falam em tirar controle de operadoras de internet e tv globo sem dar um único exemplo concreto do suposto controle e censura, como essa FAQ que não explica absolutamente nada em 10.000 palavras como tantos textos deste governo – parecer que descreve em demasia, mas sem dizer nada de concreto, nenhum motivo sólido: http://marcocivil.org.br/projeto-de-lei/entendaomarcocivil/

    Sem falar que as práticas escusas dos provedores de internet (como fornecer menos que a velocidade prometida e diminuir a velocidade em certos sites como youtube) já poderiam muito bem ser podadas pela Anatel (que é estatal), já que ela regulamenta o funcionamento deles.
    Aliás, é ela que permite ao provedor prometer 10 mega e fornecer apenas 1, isto está previsto por ela já.

    “Within Chinese territory the internet is under the jurisdiction of Chinese sovereignty. The internet sovereignty of China should be respected and protected.” (trecho de carta do governo chinês sobre a ‘soberania internética’ da nação)

    Conclusão tirada deste link, que é uma análise comentada do texto da lei e bem longa:

    ‘Os grandes problemas do marco civil da internet:
    1 – discurso redundante, praticamente uma repetição prolixa de dispositivos do código civil, do código de defesa do consumidor e do código processual civil
    2 – detrás do discurso, há uma forte demanda de duas medidas:
    A) nacionalização dos servidores de internet, para plena eficácia; agências reguladoras sobre a internet em específico. um verdadeiro big brother.
    3 – controle sobre a informação, devido amplos poderes dados ao controle sobre as informações
    4 – regulamentação ostensiva sobre a internet, o que pode encarecer o custo do serviço, além de torná-lo menos eficiente
    5 – o prestador de serviço brasileiro estará em desvantagem ao prestador dos serviço estrangeiro
    6 – judicialização da internet – haverá muitas, mas muitas mesmo, novas demandas judiciais. Vai tornar o abarrotado sistema judiciário ainda mais inchado. acredito que chegará ao ponto de se criar varas específicas.
    7 – provedores de internet mais lentos, em decorrência da exigência de igualdade na transmissão de dados.
    8 – a lei não especifica em que questões podem-se controlar ou vedar conteúdos de internet. essa abrangência pode se tornar uma censura velada.
    9 – será necessária uma nacionalização forçada dos servidores de internet, para pleno uso dos dispositivos legais. logo, o modelo de internet brasileiro pode se tornar próximo ao modelo chinês.

    Conclusão: a pessoa que tem o mínimo de bom senso em relação ao uso da internet, sabe o quanto é nociva para a Livre circulação de informações essa medida.’

    Descanse em Paz, Winamp!

    Esta morto o Winamp após 15 anos. (fonte aqui), o mp3 Player preferido de todo mundo que usa a internet antes do fenômeno das “redes sociais”.

    Tudo bem que já não o usava há uns dez anos já, mas ele me lembra de uma época bacana, de transição de ICQ pra MSN, do comecinho das redes sociais – MySpace, Friendster, o início da era que começamos a tentar alcançar uns aos outros na internet, o que se solidificou aqui no Brasil em 2005 com o Orkut. Mas na época eu já tinha minha ‘panelinha de blogueiros’ e as ‘turmas das listas de email’ então sim, o Winamp me remete a uma época muito bacana.

    E como não lembrar das skins que modificavam totalmente a aparência do programinha e todo mundo achava o máximo?

    Avril lavigne Winamp skin
    Avril Lavigne sua linda você agregava valor ao meu Winamp

    Neste fórum aqui o pessoal fez um tópico para colocar as skins de Winamp mais iradas de todas, em homenagem ao fim do programa que já foi querido por todos.

    Você deixará saudades Winamp, apesar de eu não o utilizar há quase uma década.